A taxa Selic significa a taxa básica de juros, ou seja, ela oferece base para a formação das demais taxas de juros no mercado. Portanto, ela influencia diretamente o financiamento imobiliário e outras modalidades de empréstimos e financiamentos, como também as aplicações em títulos públicos.

Essa taxa é determinada a cada 45 dias através das reuniões do COPOM, Comitê de Política Monetária, órgão criado em 1999 para controlar a inflação. Sendo assim, ela varia conforme o comportamento da inflação. Se a inflação tende a aumentar, a taxa Selic será aumentada, e também as demais taxas de juros. Com isso ela pode facilitar ou dificultar a tomada de empréstimos e financiamentos, entre eles, o financiamento imobiliário. Quando a taxa Selic aumenta, aumenta a taxa de juros do financiamento e reduz o valor da propriedade, desaquecendo o mercado, já que há uma redução na demanda.

O COPOM aumentou a Selic para 10,75% ao ano. Este é o oitavo reajuste para cima consecutivo. A taxa retorna ao patamar de dois dígitos depois de mais de quatro anos abaixo deste nível. Por conta disso, aumentam os rumores de que a Caixa irá aumentar os juros cobrados para linhas de financiamento imobiliário com recursos da poupança, assim como os demais bancos devem fazer.

Em janeiro deste ano, mesmo com a alta da Selic, o banco registrou recorde de crédito imobiliário, com a concessão de R$ 11,6 bilhões com recursos próprios. O número é o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

“Em cenários de taxas Selic`s menores ou com tendência de baixa, o mercado imobiliário se aquece, tanto pelos juros atraentes dos financiamentos, quanto para os investidores que poderão adquirir prêmios de juros mais lucrativos nesse mercado, quando comparado aos outros de renda fixa. Foi o que aconteceu nos últimos anos. Hoje, a taxa Selic está numa tendência de alta, mas ainda assim, os juros de financiamento imobiliário encontram-se mais baixos, conforme dados históricos. Já para este ano, com taxas de juros crescentes, inflação alta e renda baixa, as expectativas não são tão favoráveis para o mercado imobiliário. Por outro lado,  fará com que os preços não subam tanto, pois os imóveis possuem um valor alto e precisam de financiamento.” – afirmou a economista Sônia Vilela.

Mesmo com a alta da Selic, o mercado imobiliário continua otimista. Mesmo quando a Selic esteve em seu maior patamar, os consumidores não pararam de comprar imóveis. E os bancos privados continuam afirmando que não pretendem aumentar as taxas, mesmo com o reajuste.

Compreendemos portanto que, mesmo com um cenário aparentemente negativo, o financiamento imobiliário não deve sofrer tanto impacto com a alta da Selic. Sabemos ainda que imóveis trazem boa rentabilidade e segurança a médio e longo prazo.

As vendas, ainda que a taxa Selic apresente tamanha alteração, não devem ser impactadas.

“Muitos compradores terão que avaliar se conseguirão pagar os juros, reduzindo a demanda, o que pode ser uma boa oportunidade para comprar, para quem reunir condições de renda, e menos dependência de obtenção de financiamentos, e quer se livrar dos aluguéis que têm reajustes de acordo com a inflação ( IPCA ou IGP-M),  no ano passado, ficaram em patamares acima da  taxa Selic. Essa taxa apresentou valores reais negativos, desincentivando os investimentos em títulos de renda fixa e incentivando o mercado imobiliário. Agora, o momento sugere um movimento contrário.”

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